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Opinião | Kauã Barreto | Contra tudo, um sonho

03 abril 2025 - 12h01Por Redação

Eu tenho um sonho. Pode parecer bobo mas, como todo sonho, é feito de fascínio e emoção. 

Não que hoje, no entanto, o fato dos EUA estarem a ser governados por aquele homem cujo bestunto aparenta ser adornado por uma peruca em chamas não me cause arrepios. E as ações, as bravatas, todos esses atrasos civilizatórios…

Mas eu tenho um sonho. Meus amigos bem sabem. Eu os encho. Digo-lhes que meu maior sonho é este e que, um dia, vou realizá-lo. Eles não me desencorajam ou tentam despojar-me de uma expectativa assentada na mais pura intenção, mas parecem considerar, pelo semblante que lhes toma o rosto, um tanto louco.

É claro que também me preocupam as urgências regionais. A poluição na Laguna de Araruama é uma lástima. Uma lástima insultuosa com tudo aquilo que ela representa, ambiental e afetivamente. Bravos, as moças e os rapazes que protestaram em São Pedro da Aldeia contra tudo isso, clamando por uma solução definitiva.

E o sonho? Sim, o sonho! Embora excêntrico, é gracioso, como se estivesse sempre em estado apaixonado. A culpa é toda deles. Quando vejo certos vídeos, com alguns tão calmos e outros tão agitados, transmitindo sempre paz e doçura, sinto que eu poderia simplesmente acabar ali, preso nesses instantes que por vezes salvam o meu dia. 

Pois quero ainda ser tutor de um deles. E talvez esse sentimento venha do mesmo universo daqueles que são tutores de gatos e cães e outros animais há muito domesticados. Creio que, como escreveu Valter Hugo Mãe, podemos aprender o conceito tão ambicionado da humanidade pelos bichos mais diversos.

Contudo, vocês já viram o preço do café? Meu Deus, a desigualdade, a violência, o racismo, o machismo, todos esses horrores que cada vez mais atrapalham o nosso caminho para um mundo mais justo, mais decente. A humanidade parece só piorar. Então leio jornais antigos e, sob um gostoso instinto de pesquisa e curiosidade, encontro essa manchete de mil novecentos e bolinha: “Vereador invade emissora no Ceará e tenta matar radialista”. Melhoramos, pioramos ou estamos na mesma?

Tenho, porém, um sonho. Revelo agora, sem mais, contra tudo: meu sonho é ter um macaco-prego. Parece-me lindo aprender com Olívia, uma macaquinha muito famosa nas redes sociais, que adora melancia. E vê-la como que investindo tudo no afeto, abraçando desde gatinhos recém-nascidos a gambás, envolvendo-os com o seu calor, um calor materno, como se fossem crias dela. 

Sou melhor depois de ter conhecido Olívia. Assim como após ter assistido ao filme “Gigi & Nate”. Não darei spoiler. Conto apenas que a vida do jovem Nate vira de cabeça para baixo quando uma doença o deixa tetraplégico. Parece impossível seguir em frente, até que ele ganha a Gigi, uma macaquinha curiosa e inteligente. Ela o preenche com um dos mais indispensáveis remédios: a esperança.

Pode-se imaginar que foi por causa da Olívia e da Gigi (e Jackinho e Juju e outros mais) que passei a ter esse sonho. Mas não. Em criança, já ambicionava ter um parceiro como o Abu, de Aladdin. Ou divertir-se na companhia de George, o Curioso.