Matéria publicada pela Folha na semana passada, mostra um abraço da sociedade civil organizada a histórica sede da Fazenda Campos Novos, no segundo distrito de Cabo Frio. A fazenda é um importante símbolo da história do Brasil em solo cabo-friense. Seu conjunto arquitetônico do Século XVII remonta a época da escravidão. Deveria receber um tratamento muito especial, tamanha a riqueza histórica e cultural daquela área. Entretanto, em alguns períodos, a fazenda foi palco de conflitos, e em outros, deteriorou-se por abandono. Mesmo após o poder público entrar em cena para intervir na propriedade, a memória do local esteve ameaçada, como ainda está.
Em 1993, a fazenda foi desapropriada pela prefeitura de Cabo Frio. A partir deste êxito, já como propriedade pública, passou a sediar a Secretaria de Agricultura. Ganhou nova vida. Iniciou-se um processo de recuperação e preservação das suas belas instalações. Máquinas e equipamentos foram comprados. A secretaria passou a prestar apoio e serviços aos produtores rurais e a comunidade. Visitações e atividades passaram a ocorrer com frequência na área, com pessoas interessadas em conhecer as instalações. Animais como cães e cavalos eram apreendidos, e levados para lá para serem tratados. A primeira feira agropecuária foi realizada no município, com diversas atrações, inclusive com um rodeio inspirado no evento da cidade de Barretos. Mesmo não dispondo de vultuosos recursos de royalties, a gestão pública assumiu a responsabilidade, realizou e se fez presente.
Iniciou-se um novo ciclo à época, com a criação de um polo que poderia contribuir sobremaneira para o desenvolvimento da região. Fui testemunha ocular dessas realizações, pois meu pai, o advogado cabo-friense Paulo Rodrigues, era o Secretário de Agricultura daquele período. Um novo olhar para o futuro iniciara-se ali. Logo em seguida, o governo do Estado instalou às margens da rodovia, numa parte do terreno da fazenda, a escola técnica-agrícola Nilo Batista. Esse embrião iniciado na década de 90 poderia ter proporcionado inúmeros benefícios a cidade.
Não fosse o enorme descaso dos governos que sucederam o mandato de José Bonifácio, muitas melhorias e oportunidades teriam sido proporcionados a região, a partir das atividades realizadas naquela área rural. Por vaidade ou desleixo dos prefeitos posteriores, as atividades foram descontinuadas e as instalações foram deixadas de lado. Com muito mais recursos em caixa provenientes dos royalties, a prefeitura perdeu uma enorme chance de mudar a realidade daquele local. Lamentável assistir a tamanha irresponsabilidade e falta de visão dos últimos prefeitos nesses vinte e poucos anos.
Importante destacar que o legado da Fazenda Campos Novos não está esquecido. Qualquer governo que pense em desenvolvimento, deve pensar em projetos para a região. O resgate e a estruturação de novas atividades podem resultar em melhorias nas condições de vida da população local, e na possibilidade de geração de emprego e renda. Além das atividades que já funcionaram um dia, outras igualmente importantes podem ser criadas. Um polo turístico, com entretenimento, cultura e lazer pode nascer. A implantação de um polo de universidade pública com centro de estudos, que contemple cursos na área de agronomia, medicina veterinária e biologia, por exemplo, é uma forma de desenvolvimento. Vamos torcer que gente preparada e comprometida tome conta do nosso município nos próximos anos. Aproveito para desejar um feliz dia dos Pais para todos, especialmente para o meu pai. Até a próxima!